A Internet é timing.
É momento.
É estar com um texto disponível assim que um jogo termine.
Mas não foi o nosso caso.
Por motivos particulares o texto não ficou pronto no domingo
à noite.
Também não foi no início de segunda-feira que foi ao ar.
Está indo agora, no meio da tarde apenas.
Muito já se foi dito, muito já se foi lido sobre o Grenal
403, vencido de forma justa pelo Grêmio.
Pouco ou nada se acrescenta sobre uma crônica do jogo.
Não falaremos mais do que a Guaíba falou. Ou mais que a
Gaúcha.
Não chegaremos a falar mais até do que a Rádio Grenal.
Então só nos resta colocar aqui algumas opiniões curtas
sobre o jogo e possíveis desdobramentos.
- Felipão foi monstruoso no Grenal. Ele passou a semana
inteira dizendo que algo diferente seria feito no Grêmio para o clássico. Todos
(inclusive nós) especulamos a entrada do argentino Alan Ruíz no time de início.
Chegou-se a falar de Giuliano no sábado pela manhã. Mas quando a escalação foi
anunciada, o torcedor gremista ficou com a cara de quem não estava entendo.
Como assim algo novo? Que novidade temos com um time com três volantes e três atacantes,
quem vem sendo usada sem grande eficiência, mas com grande eficácia pelo time?
Bastaram 15 ou 20 minutos para percebemos que a mudança foi anímica. O Grêmio
entrou pilhado, entrou no 220, entrou com gana de quem não sabia o que era cor
da vitória há 2 anos. E isso mudou o jogo.
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| Foto: Ricardo Duarte / RBS |
- Alan Ruiz entrou bem demais no jogo. No primeiro lance,
tomou uma chegada do Willians (que o juiz nem deu amarelo!). Na cobrança da
falta, gol dele. Depois fez um belo gol e provocou (ou não?) o banco colorado.
A confusão se armou e ele foi sacado. Quem nos acompanha por aqui, sabe que o
blog tem pedido insistentemente a colocação e manutenção do jogador como
titular da meia-cancha tricolor. O argentino tem chute potente, preciso. Tem
drible, catimba e malemolência... Agora é a hora da chance ao jogador. Não se
pode deixar para depois. O time precisa ganhar para chegar a Libertadores. Tem
que ousar. O time do próximo jogo é Alan Ruiz e mais 10.
- Giuliano voltou a jogar depois de mais de um mês. E voltou
bem. E voltou na dele: auxiliando o meia-armador. Aqui também já falamos, seja
por escrito, seja nos nossos programas (aliás, se não ouviu nenhum, clique aqui
e escute. Já são 15!) que esse jogador é um ótimo complemento a um articulador,
nunca o próprio. No Internacional de 2009, onde se destacou foi assim. Dois
volantes, ele, um armador e dois atacantes (ou mais um meia e um atacante). A
escalação dele fora desse lugar é erro. O time que cai de maduro para o Grêmio
do meio pra frente é Wallace, Ramiro, Giuliano, Alan Ruiz, Dudu e Barcos. Não
sei se chegaremos a ver esse ano (acho difícil), mas vale a tentativa. Cada um
na sua.
- Abel Braga não conseguiu fazer o time jogar ontem. O
esquema do Internacional carece de alguns elementos básicos, que, ou não foram
vistos pelo treinador, ou pela direção na montagem do elenco. O time do Inter é
frágil na defesa, mas isso todos temos dito há algum tempo. É chover no
molhado. Um ponto que me chama a atenção é a ausência de uma opção de
meio-campo de velocidade. Quando Sasha entrou na equipe, por três jogos o time
teve esse desafogo, por pior que o jogador seja. Abel não deu sequência a essa
ideia e voltou com JH ou Alan Patrick, que não dão essa resposta. O time que é
lento (e velho) como o Inter, em determinados jogos, sucumbe a um adversário
mais jovem e bem postado. Essa característica deve ser observada na gestão que
for fazer a grande reformulação no elenco que o time precisa para 2015.
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| Foto: Ricardo Duarte / RBS |
- Nilmar, Aranguiz e Alex foram completamente anulados pelo
time tricolor. Aranguiz jogou mal ontem. Ele não apareceu para o jogo e pouco
criou. Alex, da mesma forma, tanto que foi substituído. Nilmar sucumbiu ante a
zaga gremista. Teve pouca vitória pessoal contra Geromel. Teve um lance apenas
para finalizar. Tentou uma bicicleta e quase fez o gol mais belo da história
recente da Arena. E ficaram nisso. Os jogadores que no nosso raio-x ganharam
fácil, foram bem inferiores durante o jogo. Mérito a Felipão que soube
neutralizar esses jogadores.
- D’Alessandro. Esse jogador merece um tópico exclusivo
hoje. Eu estou na parcela de gremista que sabe admirar o jogador e que é
resignado por não ter um cara como esses no time. Ele faz a diferença sempre. É
diferenciado. Mas ontem foi mal. Tanto no campo, quanto no equilíbrio emocional.
D’Ale é malandro, sabe irritar a todos, mas não sabe perder. Quando ganha, toca
flauta. Colorados, por favor não digam que não. Peguem entrevistas dele. Sempre
solta alguma coisa. Mas como estava ganhando, estava no direito dele. Ele definia
os jogos, garantia a vitória e supremacia do seu time. Nada mais justo que
fazer isso. Mas D’Alessandro não está acostumado a ser derrotado em Grenal.
Ainda mais do jeito que foi. Na sua entrevista, ele pede humildade ao outro
lado, pede respeito. Está do lado dele. Mas é necessário saber encarar as
derrotas também. Ele precisa saber disso. Aprendeu de um jeito doloroso.
Enfim, esses são os pontos que destacamos desse grande
Grenal.
O Grêmio sai de alma lavada.
O Inter sai como um ponto de interrogação.
São mais cinco jogos.
O que esperar da dupla no resto da competição.
Falaremos mais sobre isso essa semana.


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