sexta-feira, 29 de agosto de 2014

TETO SALARIAL - PARTE 2

Como funciona o Salary Cap - Parte 2!


Os esportes americanos são fontes de inspiração em questões de como administrar o esporte na forma de um negócio, como lucrar com ele e, ainda, como levar público aos estádios. A liga de futebol americano, assim como a NBA (liga de basquete) e a NHL (liga de hockey) estabelecem gastos máximos para as equipes, visando controlar os custos e impedir uma disparidade grande entre os times.1



Na teoria, existem dois benefícios derivados do teto salarial. Primeiramente, a obrigatoriedade de uma paridade entre os custos. Outro benefício é o controle de custos a fim de evitar extravagâncias e não pagamentos de salários, como vemos seguidamente no Brasil. 2,3,4

Em primeiro lugar, o estabelecimento de um teto salarial impede que equipes mais ricas tenham um efeito dominante sobre a liga. Podemos nos espelhar no que ocorre no campeonato espanhol. As duas equipes de maior poder econômico, Barcelona e Real Madrid, dominam a liga espanhola, tendo uma alternância nos títulos espanhóis, salvo raras exceções. Estas equipes contratam todas as principais estrelas deixando um abismo com relação aos outros participantes. Com o teto salarial, cada clube tem aproximadamente o mesmo poder econômico para atrair atletas, o que contribui para a paridade no campeonato e auxilia na saúde financeira dos clubes e da liga.

Por que as ligas americanas estabeleceram tal teto? Por que ela precisa garantir jogos emocionantes para os fãs a fim de ter um produto mais atrativo para vender. Deixar times acumularem os principais talentos afetaria a qualidade do produto esportivo. Quanto mais equilibrados e emocionantes são as disputas, mais interessante o produto para a televisão, ou seja, o valor dos direitos de transmissão são maiores. Uma liga desequilibrada também ameaça a viabilidade financeira das equipes mais fracas, pois se não há esperança em longo prazo de uma equipe ser vencedora, uma parcela de seus fãs gravitará para outros esportes e ligas.

Vamos citar o exemplo do futebol brasileiro. Se formos verificar as médias históricas, veremos que dentro das 15 maiores médias de público do campeonato Brasileiro de todos os tempos, somente 3 anos dizem respeito a campeonatos ocorridos no século 21.5 Quando pensamos que hoje os estádios estão melhores do que 30 anos atrás, que os deslocamentos para os estádios facilitados, que a qualidade de vida é maior do que nas décadas de 70 e 80, o poder econômico maior, é difícil entender como as melhores médias de públicos são de tantos anos atrás, quando as condições eram mais precárias. Obviamente que a estipulação de um teto salarial por si só não resolveria o problema e impulsionaria o valor de mercado do campeonato nacional. Entretanto, traria maior credibilidade para o campeonato pois salários seriam pagos em dia, melhores jogadores seriam atraídos para jogarem aqui, times de grandes públicos conseguiriam jogar em nível de igualdade com times de maior poder econômico, o campeonato ganharia em emoção e o público nos estádios seria catapultado. Além disso, os valores arrecadados com as marcas e com as cotas de TV trariam ainda mais dinheiro do que o conseguido hoje.

A necessidade da paridade está mais pronunciada em ligas que usam o modelo de franquia, ao invés do modelo de promoção e rebaixamento, usado no futebol mundial. A estrutura de um sistema de promoção e rebaixamento significa equipes mais fracas lutando contra a ameaça de rebaixamento, somando importância e emoção para os jogos das equipes mais fracas. As competições internacionais de clubes, como a UEFA Champions League também significa que os grandes clubes têm sempre algo para jogar, mesmo na mais desequilibrada de ligas nacionais. Isso é uma característica do futebol que não necessariamente impede o estabelecimento de um teto salarial, pois poderia ser estabelecido a nível de UEFA, com cotas iguais por divisão. Esta medida traria um equilíbrio, auxiliando a evitar as lavagens de dinheiro e quebras de clubes europeus.

Um teto salarial também pode ajudar a controlar os custos das equipes e evitar situações em que o clube vai assinar contratos de alto custo para craques, a fim de colher os benefícios de popularidade e sucesso imediato, apenas para mais tarde se encontram em dificuldades financeiras por causa destes custos. Sem limites, há um risco de que as equipes irão gastar mais para ganhar no agora em detrimento da estabilidade em longo prazo, e os proprietários da equipe que usam a mesma análise risco-benefício utilizado no mundo dos negócios pode arriscar não apenas a fortuna de sua própria equipe, mas a reputação e a viabilidade de todo o campeonato.

Nós temos um teto salarial no futebol brasileiro, mas ele é determinado pela lei da oferta e procura. Dessa forma, os melhores jogadores pedem valores exorbitantes e aguardam que alguma equipe banque seus salários, como um leilão. Assim, um jogador pode usar times diferentes para ampliar seu salário até onde julgue adequado ou até que apenas um time aceite pagar o que ele pede. Os atletas de menor expressão também baseiam seus salários pelo que os melhores ganham e com isso as folhas salariais dos times não param de aumentar ano após ano, causando rombos astronômicos nas finanças dos mesmos e da União, a quem os clubes devem muito dinheiro. O teto salarial poderia trazer vantagens imensas ao futebol brasileiro mas devido ao "interesses" existentes, isso é um sonho ainda muito longe de ser tentado.

1 Soares, J. S. (2014): https://br.esporteinterativo.yahoo.com/noticias/teto-salarial-uma-boa-132200902--sow.html?soc_src=copy
2 Dietl, H., Lang, M. and Rathke, A. (2009): "The Effect of Salary Caps in Professional Team Sports on Social Welfare", The B.E. Journal of Economic Analysis and Policy, Vol. 9, Article 17.
3  Dietl, H., Franck, E., Lang, M. and Rathke, A. (2008): "Welfare Effects of Salary Caps in Sports Leagues with Win-Maximizing Clubs", University of Zurich, ISU Working Paper Series No. 86.
4  Dietl, H., Lang, M. and Rathke, A. (2010): "The Combined Effect of Salary Restrictions and Revenue Sharing in Sports Leagues", forthcoming in Economic Inquiry.
5 Cardoso, J. C. (2012): http://futdados.com/campeonatos-brasileiros-medias-de-publico/

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Punição a Guarda Popular - INTERNACIONAL



Nota Oficial site do Sport Club Internacional:
"O Sport Club Internacional suspendeu as torcidas organizadas Guarda Popular e Nação Independente pela briga entre seus integrantes depois do jogo entre Inter x Flamengo em frente a um posto de gasolina a cerca de três quilômetros do estádio. Os integrantes das duas torcidas não poderão utilizar suas faixas, instrumentos musicais e não terão acesso ao estádio como integrantes de organizada. Além disso, os seis associados que estavam na lista dos 11 envolvidos na briga estão excluídos do quadro social do Clube. Os outros cinco envolvidos não poderão se associar ao Clube mais. A punição vale pelos próximos dois jogos no Beira-Rio ."

Pena que esta atitude apesar de importante muitas vezes, não traz maior paz nos nossos estádios, somente teremos Paz, quando tivermos punições severas aos times com perdas de pontos e rebaixamentos.
Abraços

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Pelo fim da Geral do Grêmio

Pelo fim da Geral!



Até quando teremos uma torcida que se acha maior que o clube?

Quando digo Geral, estou falando dessa torcida que se intitula Barra, não de um espaço popular no estádio. Afinal, que volte o espírito de setor popular! Quem está ali, não é o povo que torce e vibra com o futebol. São pessoas que torcem e vibram pela sua torcida. 

Quase esquizofrênicos!

Escrevo esse texto em forma de desabafo.

A tal “Barra” Geral do Grêmio realizou um protesto nos últimos dois jogos do Grêmio. E mais, não para por aqui... Uma greve!! Isso mesmo, uma torcida que não torceu pelo time! Beira o ridículo. Como gremista presente na Arena, estranhei o silêncio no setor, já que sento no andar superior ao espaço reservado a ela. Mas, na hora não imaginei que poderia ser tamanha besteira.
A tal Barra foi punida por ter descumprido o acordo com a polícia para o deslocamento em segurança no último Gre-Nal. Já falamos até sobre isso nos nossos podcasts anteriores.

Porém, o que essa torcida endógena não esperava é que o Grêmio fosse vencer esses dois jogos. Da mesma forma que vencia nas décadas de 1980 e 1990. Curioso não? O surgimento dessa self-torcida está aliado a um período de seca de títulos do Grêmio. E quando eles decidem fazer uma greve o que acontece? O Grêmio ganha como se não houvesse diferença! Arrisco então dizer: não faz mesmo!

Participei da Alma Castelhana no seu começo, junto com diversos amigos fomos a jogos na segunda divisão, campeonato brasileiro até a libertadores de 2007. A mesma que tomamos uma sacola do Boca. Ali vi o quão ridículo era essa torcida. Voltada a ela, ficava feliz com notícias: “O Grêmio perde por 3 x 0, mas a Geral deu show!”.

Pera aí! O que é fundamental em uma torcida ou torcedor de futebol? Torcer pelo seu time vencer! Óbvio não? Infelizmente não é o que acontece. Lê-se no twitter e no Facebook criticas ao Grêmio e a imprensa por só falarem das duas vitórias seguidas do Grêmio em casa. E nossa! Sem o apoio da “insubstituível” Geral.

O Grêmio hoje tem a oportunidade de se livrar desses aproveitadores. Que o atual presidente, ou o próximo, tome coragem e faça um ato de gremismo. O mínimo que se espera é torcedores do Grêmio, torcendo pelo Grêmio. Por mais surreal que pareça, a sua mais famosa Barra não o faz!


Mais Grêmio, menos Geral!


Foto: Ducker.com.br

2014 ALL-PRO TEAM PROJECTIONS

O analista Elliot Harrison, da NFL Media, resolveu projetar os melhores jogadores para a temporada 2014, de acordo com suas performances recentes, as peças disponíveis nos times e adversários da temporada. Assim, ele montou o provável time de melhores de 2014, na sua opinião. 
Acredito ser muito difícil esta lista acertar na mosca a maioria dos nomes, muito em função da enorme quantidade de grandes jogadores disponíveis para a atual temporada. Entretanto, concordo que provavelmente estes jogadores terão grande destaque ao longo da temporada. 
Ele escolheu o Ataque com um esquema de Running Back e Fullback. Já para a Defesa ele resolveu incluir uma peça para o caso do time poder jogar tanto num esquema 4-3 quanto num esquema 3-4. Esse time foi composto das seguintes peças:


Ataque 

Quarterback: Tom Brady, New England Patriots

Running Back: LeSean McCoy, Philadelphia Eagles

Fullback: Mike Tolbert, Carolina Panthers

Wide Receiver: Calvin Johnson, Detroit Lions

Wide Receiver: Dez Bryant, Dallas Cowboys

Tight End: Jimmy Graham, New Orleans Saints

Offensive Tackle: Joe Thomas, Cleveland Browns

Offensive Tackle: Tyron Smith, Dallas Cowboys

Offensive Guard: Evan Mathis, Philadelphia Eagles

Offensive Guard: Marshal Yanda, Baltimore Ravens

Center: Dominic Raiola, Detroit Lions


Defesa

Defensive End: J.J. Watt, Houston Texans

Defensive End: Robert Quinn, St. Louis Rams

Defensive Tackle: Geno Atkins, Cincinnati Bengals

Defensive Tackle: Gerald McCoy, Tampa Bay Buccaneers

Outside Linebacker: Justin Houston, Kansas City Chiefs

Outside Linebacker: Lavonte David, Tampa Bay Buccaneers

Inside Linebacker: Luke Kuechly, Carolina Panthers

Inside Linebacker: Patrick Willis, San Francisco 49ers

Cornerback: Richard Sherman, Seattle Seahawks

Cornerback: Darrelle Revis, New England Patriots

Safety: Jairus Byrd, New Orleans Saints

Safety: Earl Thomas, Seattle Seahawks


Special Team

Kicker: Steven Hauschka, Seattle Seahawks

Punter: Johnny Hekker, St. Louis Rams

Returner: Dri Archer, Pittsburgh Steelers

Vamos discutir alguns nomes, por exemplo para a posição de QB, por que Tom Brady e não Peyton Manning? Manning vem de uma temporada fantástica, porém em 2014 enfrentará defesas muito mais sólidas do que em 2013, sem contar com Eric Decker. Brady veio de uma temporada irregular, contando com um corpo de recebedores desfalcado de Gronkowski e tentando recuperar-se da perda de Welker, além das más condições físicas de Amendola. Em 2014, tudo indica que Gronk e Amendola estarão saudáveis, Edelman afirmado na posição de Slot, Thompkins mais adaptado ao esquema e o novo grande alvo disponibilizado pela diretoria, Brandon LaFell. Além disso, o corpo de corredores é muito sólido e será um escape para o ataque aéreo. Tudo a favor de nosso Brady Boy.

No jogo corrido, tudo a favor de um ano espetacular para LeSean McCoy. O Eagles perdeu seu principal WR, sendo que mais do que nunca necessitará de McCoy em 2014 que deverá ser ainda mais acionado do que em 2013. 
Nosso melhor WR não poderia ficar fora da lista. Calvin Johnson ainda terá a companhia de Golden Tate nos Lions, o que facilitará sua vida no momento das recepções, pois não será o único alvo decente para Stafford, dividindo as marcações dos CBs e Safeties ao longo dos jogos. 
Outro WR desta lista é Dez Bryant. Mas por que Dez Bryant? Por que ele é um dos cinco melhores Receivers da NFL. Isso se não o considerarmos um Top 3. Joga ao lado de um bom QB, Tony Romo. Não possui um bom colega recebedor para dividir as atenções nas jogadas pelos flancos. Perdeu a concorrência de Josh Gordon para 2014, devido a suspensão deste. Assim, vejo o caminho aberto para Bryant.

Estes são alguns dos jogadores presentes na lista, o que vocês acham destes e do resto da equipe?


http://www.nfl.com/photoessays/0ap3000000379529/2014-allpro-team-projections

Podcast #5

Bom Dia,

Em primeiro lugar, desculpem o atraso(NOVAMENTE), a semana foi dificil, mas garanto a todos que o produto está de qualidade...

Hoje, Eu o Evangélico do Badoo, Principe do Reino de Aham, Ex Bebado, Dudu (periguete) e Capitão Bom Moço, 

Falamos sobre:

 Futebol:

  • Copa do BRasil
  • Sul Americana
  • Rodada do Brasileirao
  • Convocação da Seleção
  • Champions

NFL


  • Qbs TOPS!!
  • NFC WEST e AFC WEST




Escutem nosso podcast clicando no link abaixo, não precisa se registrar:
https://soundcloud.com/podcastduasbolas/podcastduasbolas-5

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

DEPTH CHART NFC NORTH

Os outros times do North, da conferência NFC são os times Minnesota Vikings, Green Bay Packers, Chicago Bears e Detroit Lions:





* HC - Técnico principal;
   OC - Coordenador ofensivo;
   DC - Coordenador defensivo;
   ST - Coordenador do time especial;
   T/Sf - Jogador transferido do time San Francisco 49ers;
   SF13 - Jogador contratado em situação contratual livre em 2013;
   CF12 - Jogador contratado fora do draft de uma universidade em 2012;
   11/1 - Jogador draftado em 2011 na primeira rodada.
   Jogador destacado em verde - novato

Mais informações vocês podem obter nos sites oficiais dos times na NFL ou em um site especializado:

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

DEPTH NORTH AFC NORTH

Esta semana vamos apresentar os times e as prováveis escalações das divisões North, começando pela AFC com os times Cincinnati Bengals, Cleveland Browns, Baltimore Ravens e Pittsburgh Steelers:






* HC - Técnico principal;
   OC - Coordenador ofensivo;
   DC - Coordenador defensivo;
   ST - Coordenador do time especial;
   T/Sf - Jogador transferido do time San Francisco 49ers;
   SF13 - Jogador contratado em situação contratual livre em 2013;
   CF12 - Jogador contratado fora do draft de uma universidade em 2012;
   11/1 - Jogador draftado em 2011 na primeira rodada.
   Jogador destacado em verde - novato

Mais informações vocês podem obter nos sites oficiais dos times na NFL ou em um site especializado:

MOMENTO DE REFLEXÃO

Nada é tão ruim, que não possa piorar.

Essa frase sintetiza o momento do Botafogo.

O clube passa por sérias restrições financeiras, com verbas bloqueadas, atrasos de salários e uma campanha fraca no Brasileirão, onde irá brigar contra o rebaixamento. As insatisfações do elenco de jogadores são colocadas via imprensa todos os dias. Os líderes dos atletas, como Bolívar e Jefferson, já vieram a público para cobrar a diretoria algumas vezes. Em outros momentos, o time já aboliu a concentração e também cancelou treinos, para não aumentar o mal-estar entre os profissionais do clube.

Ontem, começou o que já era esperado: a debandada de jogadores do clube.

O primeiro a conseguir a liberação pela falta de pagamentos dos salários foi o lateral direito Lucas. Na matéria publicada pela ESPN (clique aqui) é comentado que desde a sua contratação, em 2011, somente dois dos quarenta meses de FGTS do atleta foram depositados. Uma situação lamentável num futebol em que a circulação de dinheiro aumenta anualmente.

Mas esse post não é pra falar especificamente do caso do Botafogo.

É para uma reflexão sobre as administrações dos clubes de futebol.

Antes, entretanto, de entrar no assunto, é necessário voltar um pouco no tempo.

Os clubes sempre se caracterizaram por uma gestão amadora. Seus presidentes e vice-presidentes eram, na maioria das vezes, pessoas bem-sucedidas profissionalmente que se propunham a participar da administração do patrimônio do clube de forma altruísta (isso inicialmente, hoje já não se sabe o motivo para o engajamento político da maioria das pessoas nos clubes).

Como a gestão é amadora, a preocupação com o resultado final (déficit ou superávit, porque falamos de clubes e não de empresa, o que já é outro grande erro dos nossos times no Brasil) é também muito superficial. Os dirigentes gastam muito esperando retornos impossíveis de serem alcançados no curto prazo. Isso traz consigo passivos onerosos aos cofres do clube. E por que curto prazo? Porque os mandatos de presidente, em sua maioria, são de dois anos. Aí o cidadão gasta muito pra tentar se reeleger e continuar no poder. E se perde, para ele não tem tanto problema, pois a “bomba” vai estourar no próximo presidente.

E isso é cultural. Já está enraizado no DNA da “cartolagem” do futebol.

O motivo?

O futebol é um mundo à parte do que acontece na sociedade.

No mercado do futebol é possível gastar, gastar e gastar mais um pouquinho, não pagar por isso e nada acontece. Os clubes estão acostumados pelo mau exemplo. Eles não pagam impostos, não pagam obrigações trabalhistas e seguem em atividade.

Não consigo pensar em um ramo de atividade em que uma empresa conseguiria passar anos e anos operando no negativo, contraindo dívidas, não pagando impostos, não pagando seus trabalhadores e continuaria tudo certo, funcionando. Aí, quando a água bate no pescoço e a situação fica difícil, e correm na porta do Governo. Pedem que haja uma renegociação das suas dívidas. Alguns pedem até anistia e ameaçam abandonar o campeonato (curiosamente, foi o próprio Botafogo quem fez isso).

E tudo isso porque é proibido punir o futebol.
Não se mexe com a alegria do povo.
Imaginem só fechar um Flamengo, um Grêmio ou Internacional. Não pode.

Em um mundo assim, é difícil acreditar em projetos que falem em profissionalização, em gestão responsável. Isso não existe. Pelo menos não agora. Ainda há tempo de mudar isso.
A renovação que todos pediram após o vexame da copa não é de jogadores. A renovação começa na gestão, nos gabinetes, e aí sim vai para os jogadores. Exigir que um clube honre seus débitos, pague seus jogadores, controle seu passivo de forma ordenada, invista na base (não só captando atletas, mas formando cidadãos).

Enquanto nos preocuparmos só com que jogadores vestem a camisa da Seleção, e deixar todo o resto pra trás, o futebol brasileiro vai morrendo aos poucos.