26 de novembro de 2005.
Lá se vão nove anos.
Nove anos da tarde mais insana que o futebol conseguiu
produzir até aqui.
O cenário: um estádio acanhado, pequeno e lotado. Cheio de
esperanças para dois times que ali brigavam na última rodada do Campeonato
Brasileiro da Segunda Divisão. Um “calor ensurdecedor” rondava os interessados
no jogo, tanto em Pernambuco, quanto no Rio Grande do Sul.
Se você, leitor, for um colorado chato, por favor, não leia
esse texto.
Peço desculpas por te convidar pra não rolar a página, pois
o que escreverei aqui fala de um momento único vivenciado no futebol.
Se, entretanto, você for um colorado que entende o que
aquele dia representou, fique à vontade.
Não farei uma narração do jogo. O que aconteceu naquele dia
todos já sabem: dois pênaltis contra, quatro jogadores expulsos e um gol nos
acréscimos.
O que eu quero deixar registrado aqui é minha opinião sobre
o que aconteceu em Recife, e lembrar-me do dia.
Eu tinha 17 anos e estava assistindo ao jogo em casa.
Nervoso, claro, como todo o gremista deveria estar. Atônito, vi o primeiro pênalti carimbar a trave. Quando
o Sr. Djalma Beltrani (gremista algum esquece esse nome) expulsou, de forma
correta, o Escalona temi. O time seguiu jogando, se segurando, contra uma
equipe com 11, e com a casa cheia.
Na hora do segundo pênalti e da expulsão do Patrício eu
confesso aqui: larguei o jogo de mão. Fui tomar banho para sair. Já imaginava o
que seria do ano de 2006, com toda a corneta que sofreria, com um time muito
pior do que aquele, enfim, com a merda toda que seria o ano seguinte.
Saí do banho e a confusão não tinha terminado. Mais dois
jogadores na rua e a droga do pênalti não tinha sido batido ainda. Saí de casa
e deixei o jogo de lado. No carro, ouvi o desfecho: defesa do Galatto, gol do
Anderson e o título da série B.
De estar fechado em um espaço, sem poder correr e gritar,
sem poder fazer nada por duas vezes em pouco mais de um minuto.
Ali, no Recife, o Grêmio ressurgia.
É verdade que não ganhou nada além de três Gauchões (2006, 2007, 2010) até agora, mas dá pra imaginar o que seria de
nós com uma derrota nesse jogo?
Colorados, o que o gremista comemora nesse dia não é um
título de Série B.
Ninguém quer vibrar por um campeonato que não se quer jogar.
O que o gremista comemora e lembra nesse dia é justamente
todo o a
contecimento do jogo.
Toda a mística envolvida na partida.
Jogos em que o adversário chega ter quatro homens a mais e
perde o jogo devem ser lembrados, devem ser icônicos, devem ser saudados.
Eu me orgulho muito desse jogo.
É um daqueles que eu nunca vou me esquecer e contarei às
minhas gerações futuras.
O que aconteceu naquele campo é um dos maiores feitos que acompanhei
do futebol.
Não vi o Brasileiro de 81.
Não vi o Brasileiro de 81.
Não vi a Batalha de La Plata. Sei os relatos, mas não são
tão vivos pra mim como esse de 2005.
Não vi o Mundial de 83. Vi vídeos, li reportagens, mas não presenciei o fato. E considero-o o mais importante feito da história do Grêmio.
Não acho que a Batalha dos Aflitos seja maior que essas outras histórias.
Não vi o Mundial de 83. Vi vídeos, li reportagens, mas não presenciei o fato. E considero-o o mais importante feito da história do Grêmio.
Não acho que a Batalha dos Aflitos seja maior que essas outras histórias.
A consolidação da escolha do time de futebol vem com os
títulos e com as grandes conquistas.
Eu já vi (e me lembro bem) meu time ganhar uma Libertadores,
um Brasileirão, três Copas do Brasil, uma Recopa e alguns Gauchões.
E também vi ele ganhar, na casa do adversário, com sete
jogadores em campo, depois de ter passado por dois pênaltis contra.
Se eu já era gremista em 2005, esse episódio só serviu para
reforçar ainda mais meu sentimento pelo time.
Torço para que a minha prole seja gremista (apesar da
torcida contrária de todos os lados que sofro) e possa ter melhores dias do que
esses atuais.
Claro que eu não quero repetir isso.
Não, eu não quero um time que tenha essa "pegada", por achar que essa é a cara do Grêmio.
Quero um time campeão. Que lute, sim. Mas que jogue bola, acima de tudo.
E quero também que histórias como essas não sejam deixadas no passado só porque eram na segunda divisão do futebol.
O dia merece ser lembrado.
Claro que eu não quero repetir isso.
Não, eu não quero um time que tenha essa "pegada", por achar que essa é a cara do Grêmio.
Quero um time campeão. Que lute, sim. Mas que jogue bola, acima de tudo.
E quero também que histórias como essas não sejam deixadas no passado só porque eram na segunda divisão do futebol.
O dia merece ser lembrado.
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