Ontem, na gravação do nosso terceiro podcast, foi levantada
uma questão interessante e pertinente para os tempos atuais do futebol
brasileiro: os jogadores do Botafogo que entraram com uma faixa mostrando os
problemas financeiros enfrentados pelo clube teriam sido profissionais de fato,
ou não?
Para quem não viu, segue a imagem e o link com a matéria (é clicar na imagem).
(FOTO GAZETA PRESS)
No programa que virá ao ar ainda essa semana, a posição
ficou um pouco dividida. Estou aqui escrevendo a minha opinião pessoal, que
diverge das dos demais participantes do podcast e que, sem dúvida nenhuma, não
faz parte do “editorial” do Podcast 2 Bolas.
Antes de tudo, fui procurar no famoso dicionário Aurélio
qual a definição de profissional. O texto é o que segue:
“adj. Que se relaciona com determinada profissão: sindicato profissional; artista profissional. // Escola profissional, estabelecimento de ensino técnico que prepara para diversas profissões. /; s.m. e s.f. Pessoa que faz uma coisa por profissão (por opos. a amador).”
Não satisfeito, fui
ao Wikcionário que me deu a seguinte resposta:
Podemos ver que um
profissional é aquele que exerce uma atividade e a faz de forma remunerada. Em
uma visão irônica, podíamos dizer então que os jogadores do Botafogo não seriam
profissionais, pois os mesmos não recebem há muito tempo. Mas não faremos isso
e não levaremos a discussão nesse post dessa forma.
Para mim, os
jogadores do Botafogo foram sim profissionais ao entrar no campo sem receber
por isso. Os jogadores de futebol atuam por meio de um contrato de trabalho,
onde estão contidas as obrigações e deveres da parte empregadora e de seu
empregado. Por mais que uma das partes não esteja cumprindo o determinado no
papel, a outra parte não se desobriga do que foi firmado ali. É provável que ao
optarem por não entrar em campo os jogadores estariam aptos a sofrer sanções e
punições por parte do empregador (coisa que, no caso do Botafogo, duvido muito
que aconteceria, pois a diretoria não tem tanto crédito assim para cobrar algo
dos atletas).
Ontem tivemos
comentários do tipo “Se não me pagassem todo esse tempo, eu não trabalharia”.
OK. É um ponto muito válido e verdadeiro. Entretanto, esse pensamento é
aplicável para quase todos os outros mercados. Não o do futebol, que é um mundo
à parte. De nada adiantava aos jogadores se negarem a entrar em campo. O time
perderia os pontos da partida, e em caso de recorrência fatalmente seria
rebaixado. Os jogadores ficariam com essa marca no currículo e atrasaria a
carreira deles.
Não vejo isso como
uma atitude extremamente mercenária (até porque os jogadores do Botafogo não
estão recebendo). Vejo como um pensamento no próximo passo da carreira, pois
com certeza ao final de 2014 acontecerá uma debandada de jogadores do clube e
os mesmos precisam se reposicionar no mercado. Uma atitude de não entrar em
campo talvez os prejudicasse. Além disso, o fato de muitos já terem completados
os 7 jogos no campeonato e estarem impedidos de uma transferência para clubes
da Série A deve ter tido alguma influência, especialmente para um possível desligamento dos jogadores do clube, uma vez que lei permite que após 3 meses sem pagamento, o jogador pode ficar livre das suas obrigações para com o clube. O zagueiro Bolívar comentou essa questão nessa entrevista aqui.
Ser profissional envolve, também, preservar a sua imagem de trabalhador,
de cumpridor de suas obrigações... e a imagem é um elemento ainda mais forte no
mundo do futebol do que em outros mercados, porque os jogadores (pelo menos dos
clubes das primeiras divisões) vivem super expostos - e inclusive negociam e
recebem por sua imagem. Acho que esse é mais um ponto que interfere nessa
questão, combinado principalmente com a impossibilidade de transferência citada
acima.
Se a situação não
melhorar, penso que os jogadores irão fazer como os seus colegas do Racing
Santander da Espanha, que em janeiro desse ano entraram em campo, mas se
recusaram a jogar, em protesto pelos salários atrasados, conforme mostra o vídeo
abaixo, do canal ESPN Brasil.
Em resumo: vejo os
jogadores, nesse caso, como profissionais sim.
Entretanto, ainda
essa semana, ampliarei o debate sobre o profissionalismo dos jogadores
brasileiros, agora sobre outra ótica.


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