Com a iniciativa de escrever para esse blog, decidi que,
para uma melhor análise de cada jogo, assistirei as partidas do Grêmio sem som,
seja na TV, seja no Rádio. Essa medida tem dois motivos: a) poupar meus ouvidos
de Brittos, Batistas, Oliviers e outros tantos; b) comentar as partidas com o
meu olhar, com o que eu vi e percebi dos jogos.
Também pretendo escrever um texto logo após o término do
jogo, para evitar influências externas no meu comentário, já que hoje não
estamos imunes à alienação futebolística graças aos amigos e familiares com o
Facebook e o Twitter. Dessa forma, o blog terá, pelo menos de minha parte, um
diferencial e também um convite aos leitores que se prestam a ler essas linhas
para um debate sobre o jogo.
Essa medida já teve início no jogo contra o Vitória, no
sábado retrasado. Não fiz isso ontem, pois como era Dia dos Pais, resolvi
curtir o momento com a minha primeira filha, Catarina, em meu primeiro Dia dos
Pais. Mas para manter a coerência, ainda não escutei rádio, não vi programas de
debates, não abri twitter ou li jornal sobre o jogo. Tudo para colocar aqui a
MINHA opinião sobre o jogo.
Feito o preâmbulo (grande, mas necessário), vamos ao jogo!
Antes da bola rolar, o esquema do Grêmio foi a surpresa.
Felipão mudou muito no time. Ramiro na lateral, Pará na esquerda, Wallace e
Bastos fazendo a estreia, Rodriguinho de volta. Muita coisa. Das duas uma: ou
daria muito errado, ou a escalação seria surpresa até para o Inter e o Grêmio
iria bem.
No começo da partida, vi o Grêmio meio nervoso, “pilhado”
demais. A primeira falta do jogo, o “rapa” de Rodriguinho em Willians mostrava
isso. Felipão, ao menos tinha, aparentemente, colocado sangue nos olhos dos
jogadores, coisa que o Enderson não conseguia. O primeiro terço do tempo
inicial foi assim. O Inter tentando jogar e o Grêmio caçando. Isso se refletiu
no 5 a 0 em faltas para o Grêmio nos primeiros minutos.
Depois disso, o Grêmio cresceu e melhorou no jogo. O garoto Wallace mostrou a
que veio e foi um dos destaques do primeiro tempo. Ao seu lado, Felipe Bastos
marcava muito bem, mas arriscava chutes em demasia, a maioria ruim. Parecia
sofrer de uma síndrome de Léo Gago (alguém um dia disse que eles chutavam bem,
eles fizeram alguns gols assim, e resolveram que ia fazer isso pro resto da
vida).
No primeiro tempo, a melhor chance foi tricolor, no chute do
Dudu. Chute aliás bizonhamente perdido pelo atacante, que é rápido, agudo, mas
péssimo finalizador.
O primeiro tempo terminava com um Grêmio melhor.
No segundo, a entrada de Claudio Winck pôs o Inter mais pra
cima. Já a de Fernandinho não fez o efeito esperado. O jogo estava aberto, o
Inter já dominava mais a bola, aplicando seu estilo de jogo. Nenhum dos times
assustava o goleiro adversário.
Aí Felipão pagou por seu único grande erro na escalação:
Werley! Um dos poucos méritos de Enderson era ter tirado esse zagueiro do time.
Ele se posiciona mal, é atabalhoado e não serve para o Grêmio. Entre ele e um
da base, sempre um da base. É mais barato e pode melhorar. Entendo que em um
Grenal é complicado colocar um guri novo (Wallace está aí pra provar o
contrário), mas então não bota o Werley. A falha no gol é muito mais dele, que
deixou um cara uns 20cm mais baixo que ele cabecear a bola, do que do Wallace, que
dizem (o Felipão um deles) que deveria ter feito a falta no Alex na origem do
lance. Se o guri faz a falta e sai o gol, iam botar a culpa nele também.
A partir desse gol, o Grêmio resolveu ir pra cima e tentar o
abafa. Um time desentrosado, que fez um treino junto, não pode ir pro desespero
de forma nenhuma. Em um contra-ataque muito bem tramado pelo Inter, Claudio
Winck fez o segundo e deu fim ao Grenal. O Grêmio não conseguiria achar 2 gols
de forma nenhuma em tão pouco tempo. O Inter quase fez o terceiro em duas
oportunidades: primeiro com WP9 (que por milagre não fez gol no Grêmio ontem) e
com D’Alessandro (que só não fez gol porque não era o Victor).
De fato, os chutes a gol de grande perigo do jogo foram
esses. O jogo se desenhava para ser decidido em uma bola, para qualquer dos
lados. O Inter encontrou a sua e depois encaixou um contra-ataque. O Grêmio
teve a sua com Dudu, ainda no primeiro tempo, e desperdiçou. Em clássico não dá
pra perder aquela bola.
Ao fim do jogo, o que fica do Grêmio para o resto do ano:
1)
Ramiro na lateral é acerto. Não tem estatura
para volante. Cruza melhor que o Pará e tem pulmão para idas e vindas da
função;
2)
Werley não pode ser nem banco;
3)
Pará na esquerda não serve. Se já é comum na
direita, imagina com o pé trocado. É necessária a afirmação de alguém CANHOTO
ali. E não pode ser o Zé Roberto. Breno e Marquinhos devem ser testados. Se não
derem resposta, vão ao mercado. Mas não dá pra por o Parázinho;
4)
Wallace é acerto também. Primeiro volante
clássico. Se mantiver o nível de atuação assim até o final do ano, na janela de
janeiro ele vai embora. É uma pena, pois jogou como dono da posição no primeiro
jogo dele;
5)
Felipe Bastos tem que ser opção, nunca titular.
Ali é lugar do Riveros. Esse sim é do ramo da volância;
6)
Rodriguinho é opção também. Allan Ruiz vinha
rendendo bem. Tem que dar chance pro argentino ali;
7)
Dudu, ao meu ver, é pro segundo tempo.
Fernandinho ou Luan no lugar dele renderiam mais;
Felipão quase conseguiu o que ele queria para o jogo. Faltou
qualidade na finalização e no último passe, mas ele já começou a fazer mexidas
interessantes. É dar sequencia que pode engrenar. Ele já mudou bastante no
primeiro jogo e o Grêmio, por incrível que pareça, tem espaço pra mais mudanças
ainda.
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