segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Grande JK, o Céu precisou das tuas histórias. Ficaremos com a Saudade!!!

Hoje,


Dia 06/10, mesmo distante tive a noticia do falecimento de meu avô, Jaime Keunecke, a quem dedicamos este nosso podcast.

JK, era um grande jornalista, que esteve presente em grandes momentos da história do País, pena que muito do que ele viu, não ficou documentado, mas com certeza a memória de nosso estado, perdeu hoje, uma das grandes referências.

Como avô, não tenho palavras para agradecer por tudo o que fizestes e que com certeza, a vontade de estar perto, sempre foi maior, mas a correria da vida, não permitiu.

Que Deus esteja contigo Vo.

Abaixo transcrevo uma materia retirada do Coletiva.Net, que resume um pouco da bela história deste grande homem.


O amigo dos presidentes

Jayme Keneucke
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Apesar dos passos curtos, em função de um problema na coluna, JK aparenta vitalidade e apresenta uma memória invejável. Natural de Porto Alegre, o jornalista morou no interior do Estado devido à profissão dos pais, funcionários da Secretaria de Saúde. Responsável pela administração dos postos de saúde do interior, Hélios foi transferido para Arroio do Meio. Lá, o filho Jayme conheceu o também jornalista Flávio Tavares, com quem se reencontrou anos depois. “Tenho fotos nossas quando estávamos com seis anos”, recorda. Em 1951, a família se mudou para Guaporé, e foi lá que o jornalista entrou definitivamente para o ramo da comunicação.

No ginásio da igreja funcionava um serviço de alto-falantes chamado Rádio Sonora. Convidado pelo padre, JK, na época com apenas 12 anos, passou a organizar, transmitir músicas e notícias que escutava das rádios da Capital. Tinha como companheiro de trabalho o jornalista Airton Fagundes, com quem voltou a trabalhar na TV Piratini. Permaneceu na cidade durante seis anos, e quando retornou a Porto Alegre serviu o Exército e aos 20 anos ingressou na rádio Clube Canoas, hoje rádio Metrópole do Grupo RBS.

Esteve presente também no Diário de Notícias, TV Piratini e rádio Farroupilha durante 25 anos; no Grupo RBS ficou mais de três anos e passou por Zero Hora, Rádio e TV Gaúcha; na Guaíba trabalhou durante 18 anos e participou do programa Guerrilheiros da Notícia; e há cinco faz parte do programa Pampa News, da Rede Pampa.

O homem da política

A política chegou por acaso em sua vida, como uma oportunidade de crescimento, e acabou se tornando o seu xodó. Em 1957, começou a atuar na editoria de Geral do jornal Diário de Notícias e lembra, com exatidão de detalhes, uma reportagem sobre a rebelião dos presos no cadeião da Rua do Gasômetro (antigo presídio próximo da Usina do Gasômetro). Acompanhado do arcebispo Dom Vicente Scherer, JK esteve dentro de uma das solitárias para falar com os presos. “Nunca mais esqueci desta cena. Dentro da solitária havia água, pois as celas ficavam dentro do Guaíba”.

Além das reportagens, o jornalista também possuía uma coluna e costumava assinar com todo o seu nome. Aproveitando que na época o presidente do Brasil era Juscelino Kubitschek, o diretor do jornal Ernesto Corrêa chegou para o jornalista e disse: “Jayme, já que és muito parecido com o Juscelino e o teu nome é muito comprido, passarás a assinar apenas como JK”. E assim ficou. Até hoje, é chamado assim, inclusive pelos filhos e netos. Com um codinome sugestivo, JK iniciou na Política para cobrir as férias do jornalista Vilson Müller, que acabou não voltando para a editoria.

A partir desse momento, passou a fazer a cobertura da Assembleia Legislativa, da Câmara de Vereadores e dos gabinetes do governador e do prefeito da Capital. Entre os grandes eventos em que esteve presente, participou da inauguração de Brasília, em 1960. Uma comitiva composta por jornalistas, deputados e o arcebispo Dom Vicente Scherer partiu de Porto Alegre para acompanhar o momento histórico. JK lembra a dificuldade que era para transmitir para a redação as informações: “Demorávamos de três a quatro horas para conseguir uma linha telefônica”. E revela agora que nunca se adaptou com o computador, tanto que até hoje bate as suas produções numa bola e velha máquina de escrever Olivetti.

Para o jornalista, o Estado vivenciou três momentos importantíssimos na sua história: a Revolução Farroupilha, a Revolução de Trinta, quando Getúlio Vargas subiu ao poder, e o Movimento da Legalidade. Deste participou, e juntamente com Hamilton Chaves, já falecido, foram os únicos jornalistas que acompanharam João Goulart na sua posse em Brasília. Na época, existia o risco da Operação Mosquito, cujo objetivo era derrubar o avião. Não se concretizou e a comitiva foi recebida com segurança. “Pela primeira vez tive a sensação de pisar num tapete vermelho”, recorda. Em 2011, JK recebeu da Assembleia Legislativa uma medalha durante as comemorações dos 50 anos da Legalidade.

As histórias, muitas

Na vivência pelo Diário de Notícias, esteve ao lado de muitos presidentes do Brasil. Jânio Quadros ainda estava em campanha eleitoral quando JK o conheceu, em um jantar para a imprensa organizado pelo então deputado Peracchi Barcelos. Todos os jornalistas bebiam uísque quando Jânio chegou e lhe ofereceram a bebida. Sorrindo, JK lembra da resposta: “Não, senhor, eu quero tomar cachaça de Santo Antônio da Patrulha”. Outro episódio marcante aconteceu em Caxias do Sul, em uma reunião na casa canônica, local onde residiam padres e bispos da região, na qual Jânio estava acompanhado de sua esposa, Eloá. Iniciava-se no Brasil a discussão sobre a lei do divórcio e, na ocasião, Jânio foi indagado sobre o que achava do assunto, Eloá, apavorada, levou as mãos ao rosto - com espontaneidade, JK encena a resposta de Jânio: “Senhor bispo, a dona Eloá já respondeu por mim”. E complementa: “O Jânio era fora de série”.

JK não conheceu apenas presidentes brasileiros. Quando trabalhava no Grupo RBS, foi enviado a Buenos Aires para cobrir o encontro entre os presidentes Costa e Silva e Juan Carlos Ongania. Antes da reunião seria feito um passeio de iate pelo rio Tigre e, ainda no cais do porto, o jornalista tentava uma entrevista, mas o microfone não chegava até o parapeito. Mesmo assim, iniciou a transmissão dizendo “aqui é a TV Gaúcha, diretamente de Buenos Aires...”. “Quando o presidente Costa e Silva notou a minha dificuldade, pediu o microfone e entrevistou o Ongania. Ao vivo, cobrou o cachê do Maurício (Sirotsky)”, conta. JK lembra também de Castello Branco e afirma que era um homem fechado: “Os jornalistas tinham que ficar cinco metros afastados dele”.

Em uma ocasião em seu programa na TV Piratini, o Pinga Fogo, em que dividia a apresentação com Airton Fagundes, JK fez jus ao significado da expressão jornalismo investigativo. Ao entrevistar o general Ibá Ilha Moreira, secretário de Segurança na época, perguntou sobre o jogo do bicho no Estado. Incisivo, o general respondeu que havia acabado com isso. JK o contesta e afirma que a ação ainda acontecia – e nessa hora tira do bolso e mostra para a autoridade um jogo que havia feito pela manhã. Indignado, o general Ibá diz a JK que poderia prendê-lo por contravenção. Como o programa era ao vivo, o colega Airton logo chamou os comerciais. “Eu tremia na cadeira”, recorda JK.
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O Jornalismo

Enquanto esteve na TV Piratini, comandou durante três anos o primeiro telejornal gaúcho, o Jornal Ipiranga. Em 1968, iniciou na RBS, onde escrevia a coluna JK Informa, na página três de Zero Hora. Juntamente com Mendes Ribeiro, Dilamar Machado e Lauro Schirmer, participou de programas de rádio e televisão na então TV Gaúcha. A convite de Flávio Alcaraz Gomes ingressou no programa Guerrilheiros da Notícia, onde trabalhou durante muitos anos.

Após a compra da Caldas Júnior pela Igreja Universal, todos os programas de TV passaram a ser transmitidos pela Rede Pampa. Com a mudança de emissora e de horário, JK passou a fazer parte do programa Câmera Pampa, antigo Câmera 2, apresentado pelo falecido Clóvis Duarte. “Sempre agreguei a publicidade ao meu orçamento, pois não dá pra viver só do Jornalismo. Meus clientes não gostaram do novo horário, então falei com o Flávio e disse que mudaria para o programa do Clóvis, que era de noite”. Devido à morte de Clóvis, o programa passou a chamar-se Pampa News – e ele ali permanece. Tentando fazer um Jornalismo positivo, procurando nas entrevistas o lado bom das pessoas. “Eu sou e sempre serei um otimista”, assegura.

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