Estava assistindo ao jogo do Grêmio no sábado e cheguei a essa conclusão: Felipão é acostumado a derrubar teses.
Vejamos alguns exemplos mais recentes:
2002 - Comoção nacional pela convocação de Romário, artilheiro do Brasileiro de 2001. Felipão bate o pé, briga com Ricardo Teixeira, não chama o atacante. Todos crucificando o treinador, falando que a Copa estava perdida e que o time não era tão forte. Resultado: pentacampeão.
2004 - Eurocopa jogada em casa por Portugal. Felipão consegue colocar o time na final contra a seleção grega de uma bola (cruzamento para Charisteas). Todos dando como certa a vitória lusa. Resultado: derrota de 1 a 0 e perda do título.
2006 - Portugal com um time comum chega ao terceiro lugar da Copa. Ninguém imaginava isso.
2012 - Palmeiras com um time ruim de dar dó (tanto que foi rebaixado) consegue ser campeão da Copa do Brasil. No início do certame, ninguém ousava dizer isso.
2013 - "Felipão ultrapassado!", "O que ele pode trazer de novo pra Seleção?", "Ele vai fazer o Neymar marcar?"era o que diziam quando ele assumiu o Brasil. O futebol apresentado pela seleção na Copa das Confederações, aliando velocidade, marcação pressão e movimentação do time, além da descoberta de alguns jogadores deram o título do torneio preparatório, com direito ao "rodião" na Espanha.
2014 - Brasil jogando em casa. Favoritaço para a Copa, segundo alguns comentaristas. Deu no que deu.
Por que iniciei o post assim?
Porque sábado o Felipão derrubou minhas teses.
Estava preparando um texto (na minha cabeça, não tinha colocado no papel - nem que seja nesse virtual - as minhas ideias) em que recriminava a escalação inicial e final do Grêmio.
Quem lê os textos que escreve sobre o Tricolor percebe que venho dizendo para o Alan Ruiz ter mais tempo de jogo. Pra mim, deveria ser ele a começar o jogo e não o garoto Erik. Não que o piá não seja um jogador com qualidades. Pelo contrário, mostrou que pode ser uma boa alternativa. Mas não para o modelo que o Felipão joga atualmente. Com esses trio de volantes, o mais indicado é ter um cara como o Ruiz jogando. Centralizando as jogadas. Ele fez isso no segundo tempo. O Grêmio melhorou demais, se comparado ao que vinha fazendo antes. Além de saber armar, o argentino chuta bem e deu alguns sustos no Vanderlei.
Mas enfim, começou o prata-da-casa e a mim cabia torcer.
O Coritiba nos pressionou mesmo durante um intervalo de tempo de 10 a 15min no primeiro tempo. Quando eles tiveram 3 chances seguidas, e na última guardaram a bola na rede. O zagueiro do Coxa foi auxiliado pelo Bressan, que não conseguiu marcá-lo. A nossa zaga fica muito pior sem o Rhodolfo. Mas entre o gringuinho de Caxias e o Werley, mil vezes Bressan.
No segundo tempo o Grêmio foi pra cima. Foi atacar, algo que não tinha feito no primeiro tempo e em quase todos os jogos no Brasileirão. Aí começaram as minhas broncas com Felipão. Tirando a mudança do Ruiz, as outras não foram acertadas. Uma em especial: Dudu por Nicolas Careca. Explico: Dudu não podia sair. O time precisava de velocidade. Pra mim, se deixava ele em campo, sacava o Erik e colocava o Fernandinho. Dudu e Fernandinho, um de cada lado. Um ou dois centro-avante no meio (eu tiraria o Barcos, de resposta nula durante o jogo, ou um volante - já que o Coritiba recuara - e colocaria o Lucas Coelho), com um armador vindo de trás (Ruiz, no caso).
Felipão não fez isso. Ao invés, colocou três torres na frente, procurando a bola aérea a todo o custo. Na primeira de qualidade que foi, Lucas Coelho carimbou o poste. Na segunda, vinda do PARÁ, achou a cabeça do Riveros. Gol. E lá se vai a minha tese.
O futebol não PlayStation3 e Fifa 14.
Não é só colocar jogadores de velocidade nos lados.
Não é deixar o time só com um volante.
Não.
Futebol é outra coisa.
Futebol é feeling, é sentimento é momento.
Luiz Felipe Scolari sabe bem o que é isso.
Pode errar, claro que sim.
Mas acerta também (e bastante, diga-se de passagem)
E não temos como negar que o homem sabe (e gosta de) destruir teses.
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