No primeiro podcast foi
levantada pelos participantes a questão dos “Naming Rights” da Arena do Grêmio e do Estádio Beira-Rio.
Utilizaremos esse espaço no blog para ampliar a discussão do tema.
Antes de tudo, é necessária
uma breve introdução. Nos anos 60, os municípios se interessaram em construir e
batizar estruturas multi-esportivas de suas cidades. As décadas de 90 e 2000
foram determinantes na mudança no mercado dos naming rights. [1] No Brasil, a maioria dos “batismos”
das instalações era feita para homenagear autoridades municipais ou figuras
importantes da história dos clubes. [2] Um exemplo próximo é o
Estádio Beira-Rio, que tem em seu nome verdadeiro uma homenagem ao
ex-presidente do clube Pinheiro Borda.
Os naming rights são vistos hoje como uma nova forma de receita dos
clubes de futebol, especialmente após a construção/reforma de vários estádios
no país nos últimos cinco anos. As empresas são atraídas para esse tipo de
negócio pela garantia de resultados imediatos. Ao batizar uma instalação, o
nome é colocado na fachada e instantaneamente milhões de pessoas saberão o novo
nome do lugar. [2] A ideia geral aponta que os naming rights promovem um acordo que auxilia no posicionamento da
marca da empresa como o “grande finale” de um conjunto de ações possíveis de
serem realizadas de uma só vez. Entretanto, executivos de marketing reconhecem
não ser possível mensurar o valor de um acordo de naming rights para uma empresa.[1]
Conceitualmente, os naming rights são “uma ferramenta do
marketing utilizada por empresas para promoção através da associação de suas
marcas a centros esportivos e instalações dedicadas ao esporte” [2].
Hoje é possível ver empresas batizando parques públicos, centro de convenções,
feiras, teatros, cinemas e até shoppings. No Brasil, essa prática para
instalações esportivas ainda é pequena [3]. São poucos espaços
batizados por empresas. Os mais importantes acordos firmados até o momento
foram da Cervejaria Itaipava com a Arena Pernambuco e com a Arena Fonte Nova e
da seguradora Allianz com o Palmeiras na reforma do Parque Antártica, que agora
será chamado Allianz Parque.
Se no Brasil a venda de naming rights é pequena, nos esportes
americanos a situação assume outra forma. Segundo levantamento da Revista
Exame, em 24/07/2013, a situação lá era essa:
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NFL
(Futebol
Americano)
|
NBA
(Basquete)
|
NHL
(Hóquei)
|
MLS
(Futebol)
|
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Total de Arenas: 31
Patrocinadas: 21
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Total de Arenas: 29
Patrocinadas: 25
|
Total de Arenas: 30
Patrocinadas: 27
|
Total de Arenas: 18
Patrocinadas: 12
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Valor máximo:
US$ 20 milhões/ano
|
Valor máximo:
US$ 10 milhões/ano
|
Valor máximo:
US$ 6,5 milhões/ano
|
Valor máximo:
US$ 7 milhões/ano
|
Em 2012, a BDO RCS, empresa
de contabilidade que publica vários estudos referentes ao futebol publicou uma
tabela com os valores possíveis dos naming
rights dos estádios da Copa do Mundo [4]. O resultado é esse:
|
Arena
|
Valor (20 anos)
|
Valor anual
|
Arena
|
Valor (20 anos)
|
Valor anual
|
|
Maracanã
|
R$ 300 milhões
|
R$ 15 milhões
|
Arena da Baixada
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R$ 90 milhões
|
R$ 4,5 milhões
|
|
Itaquerão
|
R$ 300 milhões
|
R$ 15 milhões
|
Arena Pernambuco
|
R$ 90 milhões
|
R$ 4,5 milhões
|
|
Mineirão
|
R$ 220 milhões
|
R$ 11 milhões
|
Arena Manaus
|
R$ 70 milhões
|
R$ 3,5 milhões
|
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Fonte Nova
|
R$ 120 milhões
|
R$ 6 milhões
|
Castelão
|
R$ 70 milhões
|
R$ 3,5 milhões
|
|
Mané Garrincha
|
R$ 90 milhões
|
R$ 4,5 milhões
|
Arena Cuiabá
|
R$ 60 milhões
|
R$ 3 milhões
|
|
Beira-Rio
|
R$ 90 milhões
|
R$ 4,5 milhões
|
Arena das Dunas
|
R$ 60 milhões
|
R$ 3 milhões
|
Agora fica a pergunta: como
esses, e outros estádios, não conseguem fechar acordos com tanta facilidade?
É possível dar um novo nome a
um estádio já consagrado? Nos exemplos dos estádios da Copa do Mundo, alguns
trazem uma história substancial atrelada ao nome – Maracanã, Mineirão e
Beira-Rio são exemplos disso. É possível associar o nome de um estádio desses a
uma empresa? Como se sentiriam os torcedores do Internacional ao chamarem o
estádio de Beira-Rio Pepsi, Itaipava Beira-Rio ou Philips Beira-Rio? É provável
que continuariam a chamar de Beira-Rio, assim como fariam os torcedores de São
Paulo com o Morumbi. E isso afasta os potenciais compradores.
Além disso, há um problema no
timing da negociação dos naming rights.
Os clubes tem esperado a inauguração do estádio para negociar. Talvez o melhor
exemplo no Brasil disso seja a relação Palmeiras-Allianz. A venda do nome do
estádio foi de R$ 15 milhões anuais, em um contrato de 20 anos. O acordo foi
selado em abril de 2013, mais de um ano antes da inauguração do estádio,
prevista inicialmente para agosto de 2014. O clube e a empresa tiveram esse
tempo para trabalhar junto aos torcedores a aceitação do nome a sua adoção por
parte dos palmeirenses é facilitada, por mais que alguns ainda chamem (e
continuarão chamando) o estádio de Palestra Itália, ou Parque Antártica.
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[1] – LEEDS, E. M.; LEEDS, M.; PISTOLET, I. (2007) A
Stadium By Another Name. The Value of Naming Rights. Journal of Sports Economics, v.8, n.6, p. 581-595.
[2] – CARDIA, W.
(2014). Marketing Esportivo e Administração
de Arenas. São Paulo: Atlas, 2014.
[3] – ZENONE, L. C. (2014). Marketing Futebol Clube. São Paulo: Atlas, 2014.
[4] – BDO (2012). Naming Rights de estádios e arenas no
Brasil. São Paulo.
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