sexta-feira, 25 de julho de 2014

NAMING RIGHTS! AMPLIANDO A QUESTÃO



No primeiro podcast foi levantada pelos participantes a questão dos “Naming Rights” da Arena do Grêmio e do Estádio Beira-Rio. Utilizaremos esse espaço no blog para ampliar a discussão do tema.

Antes de tudo, é necessária uma breve introdução. Nos anos 60, os municípios se interessaram em construir e batizar estruturas multi-esportivas de suas cidades. As décadas de 90 e 2000 foram determinantes na mudança no mercado dos naming rights. [1] No Brasil, a maioria dos “batismos” das instalações era feita para homenagear autoridades municipais ou figuras importantes da história dos clubes. [2] Um exemplo próximo é o Estádio Beira-Rio, que tem em seu nome verdadeiro uma homenagem ao ex-presidente do clube Pinheiro Borda.

Os naming rights são vistos hoje como uma nova forma de receita dos clubes de futebol, especialmente após a construção/reforma de vários estádios no país nos últimos cinco anos. As empresas são atraídas para esse tipo de negócio pela garantia de resultados imediatos. Ao batizar uma instalação, o nome é colocado na fachada e instantaneamente milhões de pessoas saberão o novo nome do lugar. [2] A ideia geral aponta que os naming rights promovem um acordo que auxilia no posicionamento da marca da empresa como o “grande finale” de um conjunto de ações possíveis de serem realizadas de uma só vez. Entretanto, executivos de marketing reconhecem não ser possível mensurar o valor de um acordo de naming rights para uma empresa.[1]

Conceitualmente, os naming rights são “uma ferramenta do marketing utilizada por empresas para promoção através da associação de suas marcas a centros esportivos e instalações dedicadas ao esporte” [2]. Hoje é possível ver empresas batizando parques públicos, centro de convenções, feiras, teatros, cinemas e até shoppings. No Brasil, essa prática para instalações esportivas ainda é pequena [3]. São poucos espaços batizados por empresas. Os mais importantes acordos firmados até o momento foram da Cervejaria Itaipava com a Arena Pernambuco e com a Arena Fonte Nova e da seguradora Allianz com o Palmeiras na reforma do Parque Antártica, que agora será chamado Allianz Parque.

Se no Brasil a venda de naming rights é pequena, nos esportes americanos a situação assume outra forma. Segundo levantamento da Revista Exame, em 24/07/2013, a situação lá era essa:

NFL
(Futebol Americano)
NBA
(Basquete)
NHL
(Hóquei)
MLS
(Futebol)
Total de Arenas: 31
Patrocinadas: 21
Total de Arenas: 29
Patrocinadas: 25
Total de Arenas: 30
Patrocinadas: 27
Total de Arenas: 18
Patrocinadas: 12
Valor máximo:
US$ 20 milhões/ano
Valor máximo:
US$ 10 milhões/ano
Valor máximo:
US$ 6,5 milhões/ano
Valor máximo:
US$ 7 milhões/ano

Em 2012, a BDO RCS, empresa de contabilidade que publica vários estudos referentes ao futebol publicou uma tabela com os valores possíveis dos naming rights dos estádios da Copa do Mundo [4]. O resultado é esse:

Arena
Valor (20 anos)
Valor anual
Arena
Valor (20 anos)
Valor anual
Maracanã
R$ 300 milhões
R$ 15 milhões
Arena da Baixada
R$ 90 milhões
R$ 4,5 milhões
Itaquerão
R$ 300 milhões
R$ 15 milhões
Arena Pernambuco
R$ 90 milhões
R$ 4,5 milhões
Mineirão
R$ 220 milhões
R$ 11 milhões
Arena Manaus
R$ 70 milhões
R$ 3,5 milhões
Fonte Nova
R$ 120 milhões
R$ 6 milhões
Castelão
R$ 70 milhões
R$ 3,5 milhões
Mané Garrincha
R$ 90 milhões
R$ 4,5 milhões
Arena Cuiabá
R$ 60 milhões
R$ 3 milhões
Beira-Rio
R$ 90 milhões
R$ 4,5 milhões
Arena das Dunas
R$ 60 milhões
R$ 3 milhões

Agora fica a pergunta: como esses, e outros estádios, não conseguem fechar acordos com tanta facilidade?

É possível dar um novo nome a um estádio já consagrado? Nos exemplos dos estádios da Copa do Mundo, alguns trazem uma história substancial atrelada ao nome – Maracanã, Mineirão e Beira-Rio são exemplos disso. É possível associar o nome de um estádio desses a uma empresa? Como se sentiriam os torcedores do Internacional ao chamarem o estádio de Beira-Rio Pepsi, Itaipava Beira-Rio ou Philips Beira-Rio? É provável que continuariam a chamar de Beira-Rio, assim como fariam os torcedores de São Paulo com o Morumbi. E isso afasta os potenciais compradores.
  
Além disso, há um problema no timing da negociação dos naming rights. Os clubes tem esperado a inauguração do estádio para negociar. Talvez o melhor exemplo no Brasil disso seja a relação Palmeiras-Allianz. A venda do nome do estádio foi de R$ 15 milhões anuais, em um contrato de 20 anos. O acordo foi selado em abril de 2013, mais de um ano antes da inauguração do estádio, prevista inicialmente para agosto de 2014. O clube e a empresa tiveram esse tempo para trabalhar junto aos torcedores a aceitação do nome a sua adoção por parte dos palmeirenses é facilitada, por mais que alguns ainda chamem (e continuarão chamando) o estádio de Palestra Itália, ou Parque Antártica.

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[1] – LEEDS, E. M.; LEEDS, M.; PISTOLET, I. (2007) A Stadium By Another Name. The Value of Naming Rights. Journal of Sports Economics, v.8, n.6, p. 581-595.
[2] – CARDIA, W. (2014). Marketing Esportivo e Administração de Arenas. São Paulo: Atlas, 2014.
[3] – ZENONE, L. C. (2014). Marketing Futebol Clube. São Paulo: Atlas, 2014.
[4] – BDO (2012). Naming Rights de estádios e arenas no Brasil. São Paulo.

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